Na semana passada, pude assistir o seminário na EPGE que contou com a presença de dois laureados, o Prescott e o Sims. O Prescott é um dos expoentes da escola RBC (Real Business Cycles), juntamente com Kyland, Plosser e outros. Antes de falar sobre sua apresentação em si, vale a pena situar essa escola na história da macroeconomia.
No fim dos anos 70, o então mainstream da macro sofreu um ataque forte, originado pela crítica de Lucas. Até então, utilizava-se, para formular e testar teorias, modelos com centenas de equações, no caso dos keynesianos, e alguns modelos com poucas equações, no caso dos monetaristas. Esses grupos travavam divergências principalmente em relação à curva de Phillips, isto é, em um suposto tradeoff entre inflação e desemprego. Segundo Lucas, entretanto, os modelos até então utilizados tratavam os agentes econômicos como passivos a respeito de qualquer alteração de política. Desta maneira, desconsideravam o fato de que os agentes também reagiriam a alterações de políticas.
A crítica de Lucas originou, portanto, a revolução das expectativas racionais na macroeconomia. A partir desse momento, o novo mainstream se formou nos chamados novo-clássicos, dentre eles o próprio Lucas, Sargent e Barro. Procurou-se construir modelos que levassem em conta as respostas dos agentes às políticas econômicas, sendo que os modelos microfundamentados ganharam bastante espaço neste novo paradigma. Nesse contexto, surgiram os modelos de ciclos reais de negócios (RBC), que, de maneira resumida, acreditam que os ciclos são explicados por choques de produtividade, não cabendo nenhum papel às políticas fiscal e monetária. Uma das premissas mais controversas dessa escola é a flexibilidade de preços e salários, que foi atacada posteriormente pelos economistas novo-keynesianos.
Mas, então, o que mesmo disse o Prescott, na EPGE? Prescott criticou as políticas industriais, sugeriu o corte de impostos e gastos e o aumento de competitividade entre os Estados. Por fim, disse que o Brasil deveria ter mais empresas multinacionais, como a Vale. Que por sinal, era a patrocinadora do evento.
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