A economia do Japão é uma grande case de estudo, pois, após um crescimento bastante robusto no pós-guerra, ela estacionou no início dos anos 90, para nunca mais crescer. Assim, já são mais de 20 anos de um crescimento pífio da terceira (perdeu a segunda posição recentemente para a China) economia do mundo.
O Japão apresentou um forte crescimento até 1990 com grande ajuda dos Estados Unidos. Soube aproveitar o maior comércio mundial e focalizou em produtos na fronteira tecnológica, utilizando-se de protecionismo à sua indústria quando necessário, além de ter investido fortemente em capital humano. Além disso, uma alta taxa de poupança de seus agentes econômicos possibilitou grandes investimentos. O milagre japonês (53 – 73) é descrito como capital intensivo, bastante P&D e intervenção estatal. Os choques do petróleo diminuíram um pouco o crescimento nos anos 70, mas este ainda continuou firme.
No fim dos anos 80, no contexto do Acordo de Plaza (1985), onde os EUA forçaram a valorização do Iene, quando o Japão exibia expressivos superávits comerciais, a economia japonesa estava superaquecida. Promovia-se uma liberalização financeira (antes o crédito da economia era fortemente bancário) e surgiam bolhas especulativas, especialmente nos mercados acionário e imobiliário. Aumentava-se o consumo, inclusive em bens de luxo.
No início dos anos 90, uma mudança na política monetária japonesa, juntamente com a ocorrência de alguns escândalos financeiros, foi suficiente para estourar as bolhas. O sistema bancário/financeiro entrou em colapso e a queda abrupta no preço dos ativos (inclusive colaterais) levou a economia para o buraco. Alguns autores ainda interpretam a crise como consequência de uma tendência estrutural à estagnação. Essa tendência poderia ser derivada da exaustão de oportunidades de investimento, causadas, por exemplo, por maior concorrência de seus produtos (outros países cresceram bastante), pelo aumento do custo da mão-de-obra, etc.
O fato, contudo, é que, nos anos seguintes, o governo tentou implementar políticas pró-crescimento, como aumento dos gastos fiscais e tentativa de recuperar o sistema bancário, mas acabou não tendo sucesso. O envelhecimento da população, as crises políticas, o terremoto em Kobe em 1995 e a crise asiática foram fatores que contribuíram para a não retomada da economia japonesa. A partir daí, outro fator negativo apareceu, a deflação. Assim, muitos autores, como Paul Krugman, passaram a ver o Japão como um caso típico da armadilha de liquidez.
Os anos de baixo, ou quase nulo, crescimento se seguiram e perduram até os dias de hoje. Em dezembro de 2012 foi eleito para o cargo de primeiro ministro o Abe, que prometeu a volta de um forte crescimento. Mesmo com desafios, como a relação dívida/PIB em 240%, Abe está levando a cabo uma política monetária bastante expansionista, com o objetivo de causar uma pequena inflação, puxar o consumo e o investimento. A meta dessa política, conhecida como Abenomics, é dobrar a base monetária do país em dois anos.
É importante ressaltar, por outro lado, que alguns analistas enxergam o Japão como um caso de pós-crescimento. O país não teria mais como crescer e deveria deixar esta preocupação de lado, dedicando-se a melhorar a qualidade de vida da população. Vale lembrar que, mesmo com o pífio crescimento dos últimos 20 anos, seus índices sociais básicos não pioraram e sua renda per capita é uma das maiores do mundo.