No último dia 10, a reunião semanal da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado recebeu três economistas do mercado para discutir conjuntura econômica. Os convidados foram o Nilson Teixeira, do Credit Suisse, Octávio de Barros, do Bradesco e Ilan Goldfajn, do Itaú. Os três acabaram convergindo bastante em suas análises, que tiveram como tema o desempenho e perspectivas da economia brasileira neste novo cenário do tampering americano.
O primeiro a falar foi o Nilson. Fez uma exposição padrão de conjuntura, passando por câmbio, fiscal, investimentos e outras. Ressaltou que o crescimento dos investimentos foi maior que o do consumo nos últimos 10 anos. Colocou a importância da independência do BC.
Em seguida, o Octávio fugiu um pouco de conjuntura pra falar do problema de confiança estrutural na economia brasileira. Chamou atenção para a necessidade de melhoria do ambiente empresarial e da necessidade de envolver o setor privado, não como coadjuvante, mas como protagonista do ciclo de investimentos em infraestrutura. Falou ainda das restrições demográficas que o país vai enfrentar e da necessidade de ganhar produtividade. Também defendeu a Independência do BC, além de propor limitar o crescimento dos gastos públicos ao crescimento do PIB e reduzir a dependência do Mercosul.
O Ilan, que falou por último, enfatizou a questão cambial: discutiu câmbio de equilíbrio, intervenção no mercado de câmbio e o repasse para a inflação. Falou também de competitividade e investimentos em infraestrutura. Por último, mencionou a questão da educação, que é a chave para o crescimento de longo prazo.
A visão dos três economistas foi mais ou menos convergente: no plano externo, os Estados Unidos se recuperando e começando lentamente a retirar os estímulos; a Europa em recuperação mais lenta, mas positiva, e a China se estabilizando em um crescimento mais baixo nos próximos anos, mas ainda sim robusto. No Brasil, ressaltou-se a necessidade de ganhar competitividade, seja por meio dos investimentos em infraestrutura, seja por meio da melhoria no ambiente de negócios.
Nas reuniões da CAE, após a apresentação do(s) convidado(s), é aberto o debate e a partir deste é interessante observar quais são as questões que mais preocupam os senadores, bem como o nível da discussão econômica no SF. Nesta seção, os principais questionamentos foram ligados à existência ou não de contabilidade criativa, à atuação do BNDES, e à dinâmica inflacionária. O Suplicy colocou na mesa a queda de desigualdade e a necessidade de aprofundar este processo. Blairo Maggi quis saber mais sobre a contabilidade criativa. Agripino Maia questionou a magnitude dos gastos com serviço da dívida e o Dornelles questionou se a intervenção diária do Banco Central no mercado de câmbio não quebraria o princípio do câmbio flutuante.
Por um lado, a sessão foi muito boa, dada a qualidade dos convidados. O conteúdo foi objetivo e abrangente e os senadores demonstraram interesse e preocupação com temas relevantes. Por outro lado, no momento das perguntas, ficou nítida a falta de intimidade da maioria deles com a economia brasileira.
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