Carta de Conjuntura IPEA setembro
Relatório "Determinantes da produtividade do trabalho", da SAE (Marcelo Neri, Ricardo Paes de Barros)
TD "Integrar para crescer: o Brasil na economia mundial" (Edmar Bacha)
Relatório de Inflação setembro (Banco Central)
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Michael Woodford
Excelente indicação do Drunkeynesian, que me fez lembrar bastante as batalhas com o Interest and Prices: seria o Woodford o economista mais influente do mundo?
A Economia da Índia
Recentemente um amigo recomendou um artigo do Klenow e outros, de 2013, publicado na Review of Economic Dynamics. O trabalho estuda a produtividade na indústria através de dados de firmas grandes, com mais de 200 empregados, para o período de 1980 a 2007. De maneira bem geral, a conclusão é que o crescimento da produtividade (de cerca de 5% ao ano desde 1990) acabou vindo mais do within (dentro das firmas) do que da realocação entre as firmas (menos produtivas em favor das mais produtivas). Outro resultado é que o crescimento da produtividade é pouco associado às reformas pró-mercado realizadas no país. Em todo caso, os resultados demandam cautela: além das limitações metodológicas por si só, foram observadas apenas grandes firmas, formais e de um setor, industrial, que responde por apenas cerca de 20% do PIB indiano.
Embora o artigo seja interessante, a oportunidade maior nessa história foi poder olhar um pouco mais para a Índia. Sabemos que o país é um dos que mais vem sofrendo desde que o FED sinalizou uma mudança futura na política monetária dos EUA. Foi dela a taxa de câmbio que mais se depreciou, refletindo preocupação grande em relação ao país. Colocaram o Raghuram Rajan (ex-FMI) há poucas semanas no comando do BC. Assim, surge uma pergunta: seriam essas preocupações exageradas?
Para obter pistas, temos que conhecer melhor a economia do país. A Índia possui 1,2 bilhões de habitantes, taxa de urbanização na casa dos 30% apenas e uma renda per capita que é cerca de 1/3 da nossa. Só pra ver um pouco de conjuntura, peguei alguns dados da Índia de 2003 a 2012, no FMI. Mesmo sendo uma análise bem superficial, a figura é essa que vem aparecendo na imprensa: déficits gêmeos em situação crítica. Além disso, tem inflação alta na casa dos 10% e a dívida bruta pouco mais alta que a nossa. Crescimento foi robusto (média acima de 7%) nos últimos anos, provavelmente amparado em uma alta taxa de investimento (+- 35%). O alto déficit em conta corrente (média de 4% do PIB nos últimos 3 anos) deve estar por trás desta desvalorização acentuada, aproveitando ainda o fato de que a situação fiscal (déficit nominal acima de 8% nos últimos 5 anos) também não é boa. Suponho que as expectativas de crescimento futuro também estejam diminuindo junto com a China, completando o cenário de dificuldades.
Além dessa questão conjuntural, acho que é válido um olhar sobre estratégia de desenvolvimento da Índia. Me chamou atenção a pequena participação da indústria no PIB. Para um país populoso e de renda muito baixa, a industrialização não deveria ser mais profunda? É possível gerar empregos e valor a partir de uma alta participação de serviços nessas condições? Obviamente, para tentar responder essas questões, se é que existem respostas, haveria necessidade de aprofundar nas características daquele país, o que não é o objetivo aqui. Em todo caso, ficam as questões para reflexão.
Em tempo: O mesmo Rajan, agora presidente do BC indiano, escreveu há poucos dias um artigo “O argumento a favor da Índia”, antes de assumir o cargo. Disse que questões institucionais deixaram grandes projetos parados. A desaceleração da economia mundial diminuiu às vendas externas e parcela considerável de importações foi de ouro para as famílias mais ricas. Mas o PIB ainda está crescendo (entre 5 e 6% este ano) e a situação fiscal não é tão ruim: a dívida vem se reduzindo e é tem uma estrutura favorável: moeda local e maturidade média de 9 anos. As reservas representam 15% do PIB.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Economistas na CAE do Senado
No último dia 10, a reunião semanal da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado recebeu três economistas do mercado para discutir conjuntura econômica. Os convidados foram o Nilson Teixeira, do Credit Suisse, Octávio de Barros, do Bradesco e Ilan Goldfajn, do Itaú. Os três acabaram convergindo bastante em suas análises, que tiveram como tema o desempenho e perspectivas da economia brasileira neste novo cenário do tampering americano.
O primeiro a falar foi o Nilson. Fez uma exposição padrão de conjuntura, passando por câmbio, fiscal, investimentos e outras. Ressaltou que o crescimento dos investimentos foi maior que o do consumo nos últimos 10 anos. Colocou a importância da independência do BC.
Em seguida, o Octávio fugiu um pouco de conjuntura pra falar do problema de confiança estrutural na economia brasileira. Chamou atenção para a necessidade de melhoria do ambiente empresarial e da necessidade de envolver o setor privado, não como coadjuvante, mas como protagonista do ciclo de investimentos em infraestrutura. Falou ainda das restrições demográficas que o país vai enfrentar e da necessidade de ganhar produtividade. Também defendeu a Independência do BC, além de propor limitar o crescimento dos gastos públicos ao crescimento do PIB e reduzir a dependência do Mercosul.
O Ilan, que falou por último, enfatizou a questão cambial: discutiu câmbio de equilíbrio, intervenção no mercado de câmbio e o repasse para a inflação. Falou também de competitividade e investimentos em infraestrutura. Por último, mencionou a questão da educação, que é a chave para o crescimento de longo prazo.
A visão dos três economistas foi mais ou menos convergente: no plano externo, os Estados Unidos se recuperando e começando lentamente a retirar os estímulos; a Europa em recuperação mais lenta, mas positiva, e a China se estabilizando em um crescimento mais baixo nos próximos anos, mas ainda sim robusto. No Brasil, ressaltou-se a necessidade de ganhar competitividade, seja por meio dos investimentos em infraestrutura, seja por meio da melhoria no ambiente de negócios.
Nas reuniões da CAE, após a apresentação do(s) convidado(s), é aberto o debate e a partir deste é interessante observar quais são as questões que mais preocupam os senadores, bem como o nível da discussão econômica no SF. Nesta seção, os principais questionamentos foram ligados à existência ou não de contabilidade criativa, à atuação do BNDES, e à dinâmica inflacionária. O Suplicy colocou na mesa a queda de desigualdade e a necessidade de aprofundar este processo. Blairo Maggi quis saber mais sobre a contabilidade criativa. Agripino Maia questionou a magnitude dos gastos com serviço da dívida e o Dornelles questionou se a intervenção diária do Banco Central no mercado de câmbio não quebraria o princípio do câmbio flutuante.
Por um lado, a sessão foi muito boa, dada a qualidade dos convidados. O conteúdo foi objetivo e abrangente e os senadores demonstraram interesse e preocupação com temas relevantes. Por outro lado, no momento das perguntas, ficou nítida a falta de intimidade da maioria deles com a economia brasileira.
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