Alguns debates recentes chamam a atenção dos economistas para o cuidado que devem ter ao trabalhar com dados econômicos. Dou alguns exemplos:
PIB
Um primeiro ponto que vem sendo discutido é sobre os dados de crescimento disponibilizados pelo IBGE. O problema poderia estar na mensuração dos serviços, que representam cerca de 60% do PIB brasileiro, especialmente nos sub-itens intermediação financeira e atividades imobiliária e de aluguel. De fato, o IBGE anda revisando a sua metodologia e, portanto, não divulgou ainda o PIB definitivo para os anos de 2010 em diante. Um relatório do Bráulio Borges, da LCA, faz alguns exercícios empíricos, como relacionar o consumo de energia elétrica ao crescimento do PIB, e sugere que de fato o crescimento do PIB do biênio 2011/2012, em especial, podem ter sido subestimado. Outro economista que vem defendendo essa posição abertamente é o Chico Lopes, como nesse artigo.
EMPREGO
No mesmo relatório, Borges compara alguns dados de desemprego, especialmente o da PME, o da PED e o da PNAD, este último, anual. O mais difundido, da PME, é baseado em 6 regiões metropolitanas, englobando 30% da população ocupada. Um exemplo de seus problemas é a composição do emprego, que diverge das outras pesquisas e talvez seja menos representativo da população total. No final das contas, o que ele sugere é que talvez o desemprego não esteja tão baixo como o reportado pela PME (5,5% em 2012).
INVESTIMENTO
Francisco Faria, também da LCA, chamou atenção para a análise do dado de investimento/PIB dos países, que, sem focar em seus componentes, pode levar a conclusões equivocadas. Muitas vezes comparamos a taxa entre os países, mas muitas vezes não sabemos o que está dentro do agregado. A pergunta que se coloca, portanto, é quais componentes devem ser destacados?
Primeiramente, é importante separar o investimento em dois grandes grupos: construção e não-construção. Para o Brasil, por exemplo, a série histórica de investimento possui valores inferiores a média de uma amostra dos países (54 com 85% do PIB). Mas se considerarmos o dado não-construção, o investimento fica ligeiramente acima da média.
Primeiramente, é importante separar o investimento em dois grandes grupos: construção e não-construção. Para o Brasil, por exemplo, a série histórica de investimento possui valores inferiores a média de uma amostra dos países (54 com 85% do PIB). Mas se considerarmos o dado não-construção, o investimento fica ligeiramente acima da média.
Em seguida, dentro do grupo construção, é necessário explicitar os componentes, especialmente de investimentos residenciais, construção de infra-estrutura e instalações produtivas. Investimentos residenciais, embora tenham um grande mérito, pouco contribuem para aumentar a capacidade produtiva da economia no futuro. Parte considerável da taxa de investimento chinesa vem desse componente. Além disso, como chama atenção o artigo citado, bolhas imobiliárias podem distorcer o indicador, como, por exemplo, ocorreu na Espanha antes da crise.
No grupo ex-construção, é importante identificar o valor dos estoques, máquinas e equipamentos, veículos, etc. Estoques são investimento só nas contas nacionais, pois não aumentam a capacidade produtiva da economia. Uma taxa de investimento baseada em caminhões, por exemplo, pode não ser tão saudável como uma outra baseada em máquinas industriais. Outro destaque que deve ser feito é em relação aos bens intangíveis. No Brasil, alguns tipos desses bens, como softwares, não são contabilizados no dado de FBCF. Essa é inclusive uma característica que está sendo incorporada na metodologia do IBGE, então devemos ter algumas novidades neste dado nos próximos meses.
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