quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Sobre a PNAD

Como todos já devem estar carecas de saber, o IBGE divulgou, na semana passada, os resultados da PNAD de 2013. Mais uma vez, um resultado que vem se repetindo nos últimos anos: renda crescendo mais do que o PIB. Prato cheio para uma boa polêmica.

Na sexta-feira, o Marcelo Neri, com uma "euforia ministerial" (palavras do Bacha), reverenciou bastante os resultados da pesquisa em uma coluna no globo:


Foi prontamente respondido pela Monica de Bolle, no seu tom elevado como sempre (nova Schwartzman?), mas com certa razão:


Por fim, hoje o Bacha escreveu uma esclarecedora coluna, onde explica exatamente as possíveis razões do descolamento entre renda e pib per capita: 

"Caberia, antes de tudo, entender por que os dados da Pnad destoam tanto daqueles do PIB. Tarefa para profissionais, diria o Neri! Infelizmente, os profissionais andam batendo cabeça a respeito desse assunto. Alguns acham que o PIB está subestimado. Outros acham que se trata de conceitos distintos de renda real, pois a renda da Pnad é corrigida pela inflação (INPC) e o PIB é corrigido pelo chamado deflator implícito. Outros notam que o PIB é um conceito muito mais amplo que a renda das famílias na Pnad e que a comparação deveria ser feita, não com o PIB, mas com o consumo das famílias nas contas nacionais. Outros salientam que a Pnad apenas pergunta às pessoas qual foi sua renda em setembro de cada ano, enquanto que o PIB engloba uma massa muito maior de informações e cobre o ano inteiro. Há, finalmente, a questão do salário mínimo, cujo valor real vem sendo reajustado bem acima da inflação há alguns anos. É possível que a renda reportada pelas pessoas à Pnad seja muito influenciada pelo valor do mínimo legal e supere os ganhos financeiros que elas de fato auferem, especialmente quando transitam da informalidade para a formalidade. A evidência de o consumo das famílias nas contas nacionais não acompanhar o crescimento da renda da Pnad seria um indício dessa superestimação."

Mesmo sem uma resposta definitiva em relação a essa divergência, o certo é que, sem crescimento do PIB, o processo de elevação da renda visto nos último anos está realmente se esgotando. E mais certo ainda é que esse tema voltará e muito durante a corrida presidencial, que já se inicia. A conferir....

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